
Revisão minha para a Editora Sulina.
Livro: Morrer como Corbière.
Autor: Emmanuel Tugny.
Lançamento.
Capa de Letícia Lampert (sobre a obra Les Amours Jaunes de Nathalie Talec).
Fragmento de Morrer como Corbière:
O poeta fala errado e alto; sua palavra é detida desde língua e silêncio. Mas isso é literatura e o garoto que virou ankou, o garoto arquiteto de carnavais em si, tendo-os constatado fora de si, o garoto doente que virou energúmeno, possuído, atravessado por um riso enorme diante da vida tomada em reverso e vista, a vida zombeteira naquilo mesmo em que ela se devora, finalmente se engendrou: ele não é mais Édouard-Joachim, não é mais o filho de Édouard, mas sim Tristan Corbière, ou seja, filho de si mesmo, filho do mergulho na verdade mórbida e, nisso mesmo, hilariante, criança triste de riso amarelo; já foi dito, os Tristans são filhos de mães mortas no parto: Tristan acabou se matando ao dar a luz a si mesmo, matou nele a fantasia crucial de uma vida e de um mundo em desenvolvimento desde vida e mundo. Matou em si a própria ideia de sentido.