É horrível na primeira vez
Perceber o corpo sonolento, silencioso,
Imerso ainda na fantasia de algum baque.
Os ritmos em que operava
duríssimos, cansados,
calando-se para sempre.
Na segunda vez, devagar se aprende
A escatológica poética do não:
Ausência de vibrações, músculos esquecidos,
Terminações nervosas, não mais.
Mas ainda pergunta-se:
Por quê?
Na terceira, das vezes a última,
A inteligência do corpo olvida a própria inteligência.
A pele olvida a pele.
Nada é mais sensível
E o sono vem, afinal...



