CONTEMPLAR É UM ATO VIOLENTO.

domingo, 10 de janeiro de 2010

"ô menino, por acaso você não inventou nenhuma verdade enquanto lia?"

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Náuseas

Revés

Suave agora


Aceno à tua revelia.
Sobreponho entrelinhas, tanta ficção desesperada.
(Dizer sem fluxo, conceber o embalo de um ruído, a língua quebrada, divide a espera)

e assim o dia faz crescer as unhas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Cartilha

as imagens e o vício de sua profusão. perceber no dia o que não é dia. atormentar o rigor, desdobrar uma gramática sensível, estender a eles. estender a gramática ao dia.


a profusão chafurda no que é dia e no que não é dia. a profusão conhece estes segredos. procura seus cantos e vãos desejosos de imagens, desgasta ofensiva rima acostumada.


a profusão quase diz o que não sabe que.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

tímida alegria


tenho vício à rima, e ao mal de não dizer. e o que perdôo me castiga ao fim da tarde. há cinco anos o silêncio de minha mãe. a casa já só sabe ser mui quieta. mas a vida espanca. amanhã o fim da tarde me espera noutro canto. no avesso do mundo que cala. lá onde revelia é desculpa de minuto para ir a outro ponto: minha secreta viuvez tão longe, severa sobriedade já não é.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

portfolio - Novos Rostos da Ficção Francesa - uma antologia




Mais um trabalho de revisão que fiz para a Editora Sulina.
Capa de Letícia Lampert.

"A antologia é uma pequena amostra da nova ficção francesa. São 22 autores. O lançamento foi durante a Feira do Livro de Porto Alegre no Ano da França no Brasil. O projeto nasceu para difundir a nova produção literária de língua francesa. O interessante é que todos os autores ainda não foram traduzidos no Brasil, por isso o ineditismo da antologia que será distribuída gratuitamente no país. Com o apoio do Ministério da Cultura da França - CultureFrance o projeto se tornou realidade. Temos um belo livro, com biografias, fragmentos das obras e tudo bilíngue. Nouveaux Visages de la Fiction de France é o último trabalho da Sulina."

(texto retirado do blog www.maquinariadelinguagem.blogspot.com)
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Fragmento (trecho da autora Claire Marin):

Alguns silêncios entre os suspiros, os gemidos, os choros ou os gritos, de dor ou de raiva. Uma vida intensa. Corpos nus, em exibição. O meu, ao menos. Um relato sem pudor.
A maioria daqueles que viram meu corpo nu tocaram-no sem o menor desejo. Ele foi manipulado, examinado, operado. O que ainda resta de chocante em expor a vida de um sujeito doente? A indecência imposta pela doença contaminou toda sua existência.
Não é mais possível abalar-se com a exposição de um corpo aberto e fechado inúmeras vezes. Renuncia-se ao artifício de uma carne coberta e preservada. Ele não é nada além de alguma coisa que pode ser penetrada, que pode ser atravessada sem que sejamos tocados. Meu corpo não é um santuário, ele não me pertence, não tenho nem poder, nem direito sobre ele. A intimidade é proibida ao doente. Essa experiência não deixa incólume. Relatá-la não é exatamente violentar-se. O mal já está feito.

sábado, 7 de novembro de 2009


um corpo regido por outro corpo. viuvez e graça. teu nome que é pronúncia entredentes. da sala de espera te penso e refaço, corpo que rege meu corpo, corpo que rege catástrofe e viuvez, corpo que rege a renúncia sem santidade, o prazer de estar com as mãos atadas, não se ter escolha, cruel permissividade, lírica decomposição;

sábado, 17 de outubro de 2009


Então o vi com delicadeza: cruel e próximo, de fato, ali estava. Contemplando minha inútil pergunta: podemos então estar no ovo da serpente? Queria ele dizer que não, calou-se.

Uma epígrafe sem motivo, lapso sutil. Lapso nem tão sutil: caí na rua te procurando. Que lugar é esse que não posso encontrar? Eu, lapso moderno, lapso de rima. Todo ao mesmo tempo, farejando direção do tombo. Sarcástico, nunca pós-moderno. Nunca qualquer coisa. Sempre atravessado, vírgulas na contramão. Kabalindade. Mas você nem sabe o que é isto.
 
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